

A música faz Bem a SaúdeDurante sete anos, o psiquiatra Daniel Chutorianscy coordenou o projeto “Conto com Você – Magia e Encantamento” no Hospital Infantil Getúlio Vargas Filho, em Niterói. Segundo ele, a iniciativa proporcionou a redução de 30% no tempo de internação das crianças. Atualmente, ele está à frente do projeto “A Arte de Ver Nascer”, em parceria com a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal Fluminense (UFF), na Maternidade Municipal Alzira Reis Vieira Ferreira, em Niterói. “A enfermaria de um hospital não tem por que ser um lugar triste e depressivo. Não há nada pior para a recuperação de um paciente do que ficar imobilizado em cima de uma cama olhando para o teto. Música é um grande aliado terapêutico porque estimula imunologicamente o indivíduo. Hospital não deve ser visto como um lugar onde se tratam doenças e, sim, onde se promove a saúde. E, para a saúde, não há nada melhor do que boa música”, garante Daniel Chutorianscy.
Música faz bem ao coração
A cardiologista Thamine Hatem é outra entusiasta da utilização terapêutica da música no pós-operatório de patologias cardíacas. Este ano, ela submeteu 84 crianças, entre 1 e 16 anos, a sessões de 30 minutos de musicoterapia. O trabalho mostrou que a música ajuda a regularizar a pressão arterial e a freqüência cardiorrespiratória dos pacientes. “Normalmente, a música clássica e as canções de ninar são as mais indicadas porque a freqüência cardiorespiratória do paciente tende a acompanhar o ritmo da música que ele está ouvindo. Algumas, em vez de diminuir, até aumentam. A técnica é tão eficiente que, ao reduzir a dor e a ansiedade, reduz-se também o consumo de analgésicos e sedativos”, afirma a cardiologista.
Melodia embala pacientes
A musicoterapia faz parte do tratamento multidisciplinar da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), no Jardim Botânico, há 42 anos. Atualmente, a unidade realiza uma média de 750 atendimentos por mês, a uma centena de crianças, jovens e adultos. Segundo a musicoterapeuta Therezinha Jardim, a técnica estimula a reabilitação não só física, mas emocional dos pacientes. “A música ajuda os pacientes a se expressarem melhor emocionalmente. Isso alivia as tensões e favorece o convívio social. Em alguns casos, a técnica consegue desviar o foco de atenção do indivíduo da dor e do sofrimento para a alegria e o prazer”, afirma Therezinha. O aposentado Wagner Gaspar Toneloto, 55 anos, é um dos mais animados nas sessões de musicoterapia da ABBR. Ele se recupera de um derrame cerebral sofrido há dois meses com a ajuda de chocalhos, pandeiros e tamborins. A princípio, imaginava que ficaria deitado numa sala ouvindo CDs de música. Mas se enganou. “Quando você sofre um derrame, precisa reaprender a fazer praticamente tudo. Se me tornei mais confiante e equilibrado, só tenho a agradecer à musicoterapia. E, quando falo em equilíbrio, me refiro ao sentido literal da palavra. Até pouco tempo atrás, não conseguia tomar banho ou me barbear sozinho. Hoje, já tenho até vontade de dançar quando ouço ‘Carinhoso’ ou ‘A Volta do Boêmio’”, brinca. Os pais do pequeno Cauê Bezerra de Figueiredo, de apenas 1 ano e meio, também só têm elogios a fazer à técnica. O menino sofre de Síndrome de West, um tipo raro de epilepsia que afeta geralmente crianças menores de 1 ano. “Meu filho sempre fica mais calmo e atento quando ouve música. Por mais que não tenha coordenação motora, ele presta atenção e tenta bater palmas”, derrama-se o pai do garoto, o vendedor Eduardo Bezerra, 31 anos.
Atualmente, a ABBR tenta angariar doadores para aumentar em 30% o número de pacientes, todos de baixa renda e deficientes físicos, e manter o atendimento àqueles que não têm condições de pagar o preço simbólico de R$ 5 por sessão.
A campanha “Entre Nessa Sintonia”, promovida pela ABBR, tem um padrinho famoso: o vocalista dos Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna, que ficou paraplégico depois de sofrer um acidente de ultraleve em 2001. Durante a recuperação, foi submetido a sessões de musicoterapia no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. “Quando estava no hospital, pedia que meus filhos me levassem discos e violão. Com a música, eu canalizava a atenção para outras coisas que não fossem a dor que sentia. A música é o remédio mais elevado que existe”, disse, no lançamento da campanha, em setembro.
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